quinta-feira, 3 de setembro de 2009

2010 vem aí... o que esperar?

Enquanto muitos dos países desenvolvidos ainda engatinham em direção à luz no final do túnel, e começam a ver a crise econômica pelo retrovisor, nós brasileiros, parecemos estar em uma situação diferente.

Nosso excesso de otimismo e a extrema facilidade em lidar com situações como essa, que vivemos intensamente nas décadas de 80 e 90, está fazendo com que estejamos superando esse problema com relativa facilidade. É claro que muitos segmentos sentiram os efeitos dessa crise econômica, mas também é verdade que os efeitos aqui foram muito menores do que nos países vizinhos e na Europa, América do Norte e Ásia. Estamos até emprestando recursos financeiros para a Argentina!

Não importa a organização criminosa que se instale nas esferas do poder executivo e legislativo, nem a gripe suína e nem a pesada carga de impostos (vem aí uma nova CPMF), nós somos verdadeiros “tratores” dispostos a passar por cima de todas as dificuldades impostas.

Importantes variáveis macro-econômicas estão sob controle como a inflação, câmbio, juro e reservas e balança comercial.

Outros fatores que impactam diretamente no poder de compra do mercado interno como o nível de endividamento, taxa de desemprego e inadimplência também são positivos.

Este ano já deverá mostrar sinais positivos a partir de outubro e 2010, seguramente, teremos o início de um novo ciclo positivo para os Operadores Logísticos e Transportadoras.

Se enfrentaremos ventos favoráveis, o que fazer?

Primeiro, faça uma reflexão. Quais as lições aprendidas com a crise econômica que parece estar terminando? Quais as vulnerabilidades da sua empresa? Este é um importante ponto de partida para TODAS as empresas. Não vamos repetir os erros do passado recente.

Segundo, aproveite os bons momentos que vem pela frente para REVER importantes conceitos de gestão. Que tal resgatarmos um termo esquecido, a REENGENHARIA?

Propomos que a sua empresa foque em 4 ou 5 temas apenas, não mais do que isso! E vamos colocar a mão na massa. Chega de devaneios, teorias e conceitos. É hora de colocar em prática. Sem medo de errar, mas trabalhando para errar o mínimo possível.

Um deles, e talvez o mais importante, refere-se ao planejamento estratégico. Sua empresa realiza um exercício de previsão do futuro e se prepara adequadamente para os diferentes cenários ou funciona como a música de Zeca Pagodinho, “deixando a vida me levar...”? Agindo dessa forma, a sua empresa será levada para um interminável “buraco”, do qual é muito difícil sair! A grande maioria das empresas desse segmento simplesmente “odeia” os planos estratégicos. Acreditam que apenas “engessam” a empresa. Triste conceito!

Segundo, reveja a carteira de Clientes. Que tal dar menos importância à Receita Operacional Líquida (ROL) e direcionar seus esforços para a “última linha”, o Lucro Líquido? Sua empresa cresceu 20% ao ano nos últimos cinco anos? Parece ótimo não? Então responda à sua pergunta: seu lucro aumentou ou pelo menos se manteve nesse período? Não? Isso é péssimo... faturando mais e ganhando menos? Essa é uma das maiores “armadilhas” no segmento de logística e transportes. É o começo do fim! Cliente bom é aquele que remunera bem a “última linha”.

Aí você pode argumentar que não dispõe de ferramentas para avaliar a lucratividade por cliente. Ok, mas até quando você continuará dizendo isso? Até vender seu último caminhão e fechar as portas da sua empresa? Pois é, esse é o terceiro ponto: desenvolva e implante um confiável sistema de custeio e de apuração de resultados. É difícil eu sei, mas não impossível! Comece agora; em 2 ou 3 anos você terá evoluído significativamente nesse quesito!

Quarto ponto: reforce as competências de suporte, como as áreas de Recursos Humanos, Marketing, Atendimento ao Cliente, Projetos e Tecnologia da Informação.

Um bom RH retém as pessoas e não apenas detém. Com altos salários detemos os funcionários. Por quanto tempo? Bem, até algum concorrente aparecer e levar seu funcionário embora por um “pacote” mais atrativo.

O RH também auxilia no plano de treinamento e capacitação dos funcionários. Quanto a sua empresa investe em treinamento? As melhores práticas no Brasil estão ao redor de 1,0% a 2,0% do faturamento das empresas. E a sua empresa, quanto gastou mesmo?

O Marketing é também importante. Mas saia da mesmice de anunciar em revistas em que ninguém mais sequer vê a capa e que enfeitam as recepções das empresas! Busque alternativas na web, explorando o marketing via Internet. Já são cerca de 65 milhões de brasileiros conectados à Internet e menos de 10.000 lendo revistas (quando realmente lêem).

A área de Marketing em uma Transportadora ou em um Operador Logístico não se restringe apenas às campanhas mercadológicas, mas também envolve inteligência de mercado e inovação. O que anda fazendo seu concorrente? O que ele tem de bom e de ruim? Quais os planos dele para o futuro? Que preços ele pratica?Que mercados ele busca?

Quanto à inovação, o que a sua empresa fez de diferente nos últimos anos e que tenha gerado algum diferencial de competitividade em relação à concorrência? Algum novo serviço ou equipamento?

Por fim, o quinto ponto! Não podia faltar o Cliente, é claro. Que tal deixar o velho, cansado e superado conceito de SAC (também conhecido por CAC, CIC, etc.) para trás e trazer uma visão mais ampla e mais integrada com o restante da empresa conhecida como GRC – Gestão do Relacionamento com o Cliente (se você desconhece o tema, veja o curso abaixo). O GRC é sinônimo de inteligência e de resultados. Agrega valor de verdade!

Ainda relacionado a Clientes, tenha contratos! Receita atrelada a operações sem contratos constitui-se em um risco muito alto. (outro tema tratado em cursos pela Tigerlog em Setembro).

Vamos aproveitar esse novo ciclo e mudar as empresas. Coragem, perseverança, dedicação e atitude. São essas as palavras-chave. Literalmente, mãos à obra e nada de esperar o ano que vem e tampouco esperar passar o Carnaval. Isso é estorinha de perdedores. Inicie AGORA essa mudança!

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