terça-feira, 7 de outubro de 2008

Os ônus dos transportes no Brasil

São problemáticos os entraves que tangem a economia brasileira pelo encarecimento dos transportes. Impostos, multas, pedágio, rodovias em péssimas condições, congestionamentos, frota envelhecida, preço alto dos combustíveis e despreparo de motoristas são grandes barreiras que contribuem para travar o desenvolvimento. Estas questões foram levantadas no recente Fórum Volvo de Segurança no Trânsito, realizado em São Paulo, e enfocadas por este Jornal. Os transportes têm pesada influência sobre os custos de tudo, mas os governos - como tantas outras inoperâncias - não têm projetos consistentes para solucionar esses problemas. Tema discutido durante o Fórum foi também a idade da frota brasileira de veículos de carga, que é em média de 18 anos, com críticas ao governo 'por estimular isso' cobrando menos imposto sobre veículos velhos. Verdade que a economia dos transportes nem sempre permite renovação, um problema ainda maior com os caminhoneiros particulares. Estes foram duramente tangidos pelo advento do pedágio, que lhes sugou grande fatia do lucro.

Óbvio que um caminhão novo traz ganhos financeiros em manutenção e combustível, embora o risco de danos pela precariedade da maior parte das estradas. Além da frota envelhecida e dos caminhos ruins, o regime da pressa e da pressão submete o motorista a longas horas de trabalho sem descanso, o que induz a acidentes, com mortes, dor e prejuízo material. Problemas de um Brasil ainda subdesenvolvido em muitos pontos, embora a iniciativa privada vá avançando e buscando solução para os problemas. Caso desse fórum de segurança do tráfego. Mas o Brasil ainda não faz parte da convenção sobre rotas internacionais, um acordo entre países que permite o controle fiscal mais eficiente das mercadorias transportadas e significa ganho de tempo, mais segurança e menos corrupção nas alfândegas.

Entenda como a crise dos EUA afeta o Brasil

A crise financeira que começou há mais de um ano nos Estados Unidos como uma crise no pagamento de hipotecas se alastrou pela economia e contaminou o sistema mundial. Banco atrás de banco por lá apresentou perdas bilionárias, outros chegaram a quebrar. Na Europa também há vítimas. E no Brasil? Por aqui, a crise não afeta ninguém diretamente --os bancos dizem não possuir papéis ligados às hipotecas--, mas atinge vários setores por causa da forte contração de crédito.
Entenda como começou a crise nos EUA
As quebras e os problemas enfrentados por bancos até então considerados importantes e sólidos geraram o que se chama de "crise de confiança". Num mundo de incertezas, o dinheiro pára de circular --quem possui recursos sobrando não empresta, quem precisa de dinheiro para cobrir falta de caixa não encontra quem forneça. Isso fez cair e encarecer o crédito disponível. E numa economia globalizada, a falta de dinheiro em outro continente afeta empresas no mundo todo.
Com a circulação de dinheiro congelada e o consumo comprometido, o resultado esperado é a contração das economias, uma vez que empresas, pessoas físicas e governos passam a encontrar dificuldade em financiarem seus projetos. Justamente para injetar liquidez (dinheiro nos mercados) os Bancos Centrais fazem leilões de moeda e criam linhas especiais de bilhões de dólares.
No Brasil, é exatamente esse o principal efeito da crise: a dificuldade em se obter dinheiro. Grandes empresas que dependem de financiamento externo passam a encontrar menos linhas de créditos disponíveis, afinal, os bancos têm medo de emprestar em um contexto de crise. Por conseqüência, com a dificuldade em captar no exterior, ficam comprometidos projetos de construção dessas empresas, que por sua vez gerariam empregos e renda ao país.
Até mesmo os bancos começam a sofrer com a dificuldade de captar recursos no exterior, o que deve fazer os empréstimos ficarem mais caros e mais difíceis também para as pessoas físicas. Por conta disso, as instituições de médio e pequeno porte já tiveram ajuda do governo brasileiro.
Para reduzir os efeitos da crise internacional, o BC (Banco Central) anunciou mudanças nos depósitos compulsórios das instituições financeiras, um dos instrumentos usados para controlar a quantidade de dinheiro que circula na economia.
Por meio do depósito compulsório, o órgão obriga os bancos a depositar em uma conta no próprio BC parte dos recursos captados dos seus clientes nos depósitos à vista, a prazo ou poupança. Assim, quando reduz o compulsório, o BC dá aos bancos mais dinheiro para emprestar aos seus clientes.
Ainda na esteira da contração do crédito, outra conseqüência da crise nos EUA é haver alguma desaceleração do PIB (Produto Interno Bruto) brasileiro. Isso porque o consumo das famílias e o investimento das empresas, dois dos principais pilares de expansão da economia nos últimos anos, cresceram justamente pela farta oferta de crédito. Com menos dinheiro, gasta-se menos, produz-se menos e o crescimento é menor.
Também serão afetadas as exportações do país, que devem cair porque os países compradores estão se desaquecendo e possuem menos dinheiro para comprar --e menos população com capacidade de consumir.
Por isso, o governo já estuda linhas especiais de financiamento. Entre as possibilidades está colocar mais dinheiro no Proex (Programa de Financiamento às Exportações) e garantir recursos para ACC (Adiantamento de Contrato de Câmbio), mecanismo que permite às empresas oferecer os dólares que receberão por suas exportações como garantia de empréstimos.
O BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) também já declarou que o banco de fomento conta com dinheiro suficiente até a primeira metade de 2009 para fazer face à escassez de crédito internacional.
Por fim, pesa a alta do dólar --em momento de crise, a cotação sobe porque a moeda americana, considerada um investimento seguro, tem mais procura. E o dólar mais caro encarece os importados, o que pressiona a inflação e reduz o poder de compra.
Bolsa de Valores
Um dos reflexos mais visíveis da crise, porém, é a forte queda nos mercados acionários. Trata-se de um ciclo sem fim: com medo da crise financeira aumentar, os investidores tiram o dinheiro das Bolsas, consideradas investimentos de risco. Então, faltam recursos para as empresas investirem e a crise aumenta, o que faz o investidores tirarem mais dinheiro.
Ou seja, como a crise americana provoca justamente aversão ao risco, os investidores em ações preferem sair das Bolsas, sujeita a oscilações sempre, e aplicar em investimentos mais seguros. Além disso, os estrangeiros que aplicam em mercados emergentes, como o Brasil, vendem seus papéis para cobrir perdas lá fora. Com muita gente querendo vender --oferta elevada--, os preços dos papéis caem e os índices (que refletem os valores das ações) desvalorizam.
Fonte: Folha Online