quarta-feira, 15 de abril de 2009

Otimismo marca abertura da INTERMODAL 2009

Trabalho e otimismo para combater a crise mundial e potencializar negócios. Este foi o tom da cerimônia de abertura da Intermodal South America 2009, realizada na tarde desta terça-feira, 14, no Transamérica Expo Center, em São Paulo-SP. A Intermodal é maior e mais importante evento para os setores de logística, transporte e comércio internacional das Américas.

Na cerimônia, Joris Van Wijk , diretor da UBM Brazil, organizadora da feira, recebeu o secretário de Transportes do Estado de São Paulo, Mauro Arce, a secretária de Transportes de Portugal, Ana Paula Vitorino e o diretor do Departamento de Infraestrutura da Fiesp, Pedro Francisco Moreira, além de empresários e autoridades.

Arce destacou em seu discurso que o estado de São Paulo vive um novo ciclo de desenvolvimento, visando ampliar a utilização dos modais. “Nosso desafio é desconcentrar a malha rodoviária e dar destaque às ferrovias que ainda são pouco utilizadas no Estado”, ressaltou.

O secretário de Transportes destacou também a importância do Porto de Santos, o maior da América Latina e a vocação do Porto de São Sebastião às atividades de apoio off shore, principalmente para escoar o etanol e atender demandas da exploração da Bacia de Santos.Ambos os portos são expositores da feira.

Segundo a secretária de Transportes de Portugal, Ana Paula Vitorino, o País está transformando crise em oportunidade. “Portugal tem portos modernos e competitivos, dotados de uma eficiência não encontrada em outros países. A Intermodal é um encontro, um espaço para troca de experiências e até mesmo para avaliarmos possibilidades de investimento, assim como buscamos investidores para Portugal”, destacou Ana Paula.

Já o diretor do Departamento de Infraestrutura da Fiesp, Pedro Francisco Moreira lembrou que o País passa por um momento de preocupação, mas sem deixar de lado o otimismo.”A função do setor logístico, neste momento, é pensar com tática e agir com inteligência, fazendo o máximo mesmo que com menos recursos disponíveis”.

Estudo - Para inaugurar uma semana totalmente dedicada ao comércio internacional, foi apresentado na noite de ontem, 13, no auditório Itaú-FGV, em São Paulo-SP, os resultados da pesquisa “Exportações: Superação das Barreiras e o Impacto no Desempenho”, que investigou como os exportadores brasileiros reagem frente às barreiras que afetam sua competitividade e como essas práticas interferem no seu desempenho.

O evento, realizado pela UBM Brazil, em parceria com o Centro de Excelência em Logística e Supply Chain – Gvcelog, da Escola de Administração de Empresas de São Paulo da Fundação Getulio Vargas, contou com a presença dos anfitriões, Joris Van Wijk, diretor da UBM Brazil, do professor da FGV-EAESP e coordenador do Gvcelog, Manoel Reis e dos professores responsáveis pelo desenvolvimento e aplicação da pesquisa, Alexandre Pignanelli e Juliana Bonomi.

O diretor do Departamento de Planejamento e Desenvolvimento do Comércio Exterior, do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior – MDIC, Fábio Martins Faria e o diretor Executivo da Associação Nacional dos Transportadores Ferroviários – ANTF, Rodrigo Vilaça também estiveram presentes no evento e apresentaram números e dados que vieram de encontro aos resultados da pesquisa.

Segundo o estudo do GVcelog, os gargalos na infraestrutura e a burocracia são os principais entraves às exportações e os mais difíceis de se ultrapassar sem investimentos e ações do Governo, seguidos dos problemas logísticos e legislação. O estudo mostrou 56% das empresas exportadoras não tomam nenhuma ação para vencer ou mininizar as barreiras criadas pela falta de infraestrutura. O resultado também apontou deficiências no serviço prestado por operadores logísticos.

De acordo com o diretor da UBM Brazil, Joris Van Wijk, a pesquisa do GVcelog vem de encontro às necessidades dos empresários que participam da INTERMODAL. “Nós sabemos que nossos expositores estão buscando informações sobre como melhorar o desempenho das exportações de suas empresas e achar caminhos para levar os produtos de uma forma mais barata e eficiente a outros países. E esse é objetivo da Feira, trazer soluções para os profissionais das áreas de logística e transporte que atendam aos quatro modais”.

Para a professora da Universidade Mackenzie e pesquisadora do GVcelog, Juliana Bonomi, o evento apontou o que é necessário ser feito por cada uma das pontas do comex. “Nós conseguimos trazer as duas esferas de atuação, governo e empresas. Em âmbito governamental, sabemos que precisam ser tomadas ações para melhorar a competitividade do Brasil em relação a outros países. No entanto, a pesquisa traz um ponto importante, a melhoria interna das empresas, para torná-las mais competitivas, pois no mercado interno elas concorrem entre si”, destaca.

Segundo Alexandre Pignanelli, professor da FGV-EAESP e pesquisador do GVcelog, “ficou claro com a pesquisa que o governo tem grande parcela de responsabilidade, mas as empresas também têm o seu papel a cumprir”.

“Trabalhos de pesquisa são muito importantes, nos levam a fazer reflexões, estudar novos caminhos e políticas que podem ser traçadas”, destacou o diretor do Depla-MDIC, Fábio Martins Faria.

“Esta pesquisa vai ser usada como um fator de agregação aos diversos outros documentos que fazem interface com o usuário do modal ferroviário. É mais uma demonstração de onde o governo – responsável pela burocratização – deve reduzir barreiras que incomodam ao nosso usuário e atrapalha o crescimento do sistema”, defendeu o diretor Executivo da ANTF, Rodrigo Vilaça.

Intermodal - A 15ª edição da Intermodal, que segue de hoje até 16 de abril, conta com mais de 450 expositores nacionais e internacionais, 12% a mais que o ano anterior, sendo que a participação internacional cresceu em 20%. Mais de 45 mil profissionais da área, entre visitantes e conferencistas são esperados.

Na agenda mundial para o setor de logística, transporte e comércio internacional, são apenas três os grandes eventos: um na Europa, outro na Ásia, e a Intermodal, no Brasil.

Diante do novo cenário mundial, mais e mais empresas vêem o grande leque de oportunidades comerciais que só uma feira de negócios pode oferecer. Além de um ponto de encontro estratégico para a geração de negócios e relacionamento, os profissionais de decisão têm no evento um verdadeiro centro de compras, cheio de ofertas e oportunidades imperdíveis. Atualmente, a presença em feiras do porte e relevâncias da Intermodal pode-se dizer obrigatória.

segunda-feira, 6 de abril de 2009

Recessão brasileira deve ser curta

Portal EXAME -
O trabalho de acertar previsões econômicas com meses de antecedência é uma espécie de espionagem estatística. Grandes bancos e consultorias contratam equipes de economistas para coletar e antecipar centenas de informações. Reunidos e analisados com precisão, esses dados podem indicar o futuro desempenho de uma empresa, de um setor ou da economia como um todo.
A crise, no entanto, trouxe elementos novos e imponderáveis, alterou trajetórias que pareciam já traçadas e gerou fortes discrepâncias entre as previsões econômicas para o Brasil neste ano. Existe um abismo de quase 200 bilhões de reais entre a previsão de crescimento de 2% para o PIB feita pelo Ministério da Fazenda e a estimativa de retração de 4,5% divulgada pelo banco Morgan Stanley.
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Nos últimos dias, o Portal Exame reuniu a opinião de oito especialistas em previsões econômicas. Desconsiderando tudo que não é consensual, chega-se a quatro conclusões: 1) A economia brasileira encolheu entre janeiro e março e completou dois trimestres seguidos de retração, o que tecnicamente configura uma recessão; 2) Apesar de o ritmo da contração estar mais para tsunami do que para marolinha, a recessão brasileira será curta, ao contrário da americana e da europeia; 3) Em relação ao trimestre anterior, a economia voltará a crescer neste segundo trimestre ou, no mais tardar, no próximo; e 4) A produção só voltará ao patamar pré-crise no final do ano ou no início de 2010.
Até a semana passada, especialistas ainda alimentavam a expectativa de que a economia brasileira pudesse voltar a crescer já no primeiro trimestre devido a uma série de indicadores positivos no setor de consumo. Além da resistência das vendas de alimentos, bebidas, medicamentos e livros, o consumo de carros no mercado interno chegou a alcançar novos recordes e o crédito deu sinais claros de recuperação.
No entanto, a esperança de que a recessão seria evitada foi sepultada pela divulgação de que a produção industrial caiu 17% em fevereiro em relação ao mesmo mês do ano passado. Após o tombo de 20% da indústria no quarto trimestre, a leve recuperação apresentada em janeiro e fevereiro é pífia sob qualquer aspecto. "O consumo sozinho não vai ser suficiente para estimular a produção", diz Guilherme da Nóbrega, economista-chefe da Itaú Corretora, em relatório. "Os investimentos e as exportações terão de fazer a sua parte."
As exportações foram bastante afetadas pela queda de quase 20% no volume de comércio mundial neste ano. Enquanto em setembro do ano passado as vendas brasileiras ao exterior cresciam 41,3% em relação ao mesmo mês de 2007, em fevereiro deste ano as exportações tiveram queda de 25,1%. Para o economista Roberto Giannetti da Fonseca, diretor do Departamento de Comércio Exterior da Fiesp, a falta de crédito e de seguro para financiar as compras de produtos brasileiros por países emergentes agravou a já representativa redução das exportações para as economias desenvolvidas.
Giannetti diz, no entanto, que a decisão do G20 de criar uma linha de crédito de 250 bilhões de dólares para o financiamento do comércio será um "primeiro passo" para destravar as exportações para países do Leste Europeu - cujos bancos enfrentam crise de confiança - e para países exportadores de commodities, como a Venezuela, com quem o Brasil tem seu maior superávit comercial.
Essa retomada, no entanto, será bem lenta. O próprio Ministério do Desenvolvimento já estima uma queda de 20% nas exportações brasileiras neste ano. Para o investidor Antoine van Agtmael, que cunhou o termo "mercados emergentes", só países com um mercado interno gigantesco como a Índia ou a China e outras raras exceções poderão evitar uma recessão devido ao colapso do comércio mundial. Além disso, ele aposta que, apesar da recente reação, os preços das commodities vão levar ao menos três anos para retomar os patamares anteriores à crise, o que prejudicará o Brasil.
Os investimentos são outro destaque negativo da economia brasileira. A produção de bens de capital (máquinas e equipamentos) teve uma queda de 28% entre setembro e fevereiro. "O problema dos bens de capital é que a queda está acelerando ao contrário do que se observa em outros setores da indústria", afirma Rogério de Oliveira, diretor de pesquisas para mercados emergentes do banco Barclays. "Por que alguém investiria em um momento em que não há pressão sobre a capacidade já instalada nem uma perspectiva de grande melhora no curto prazo?", questiona o economista-chefe do Santander e ex-diretor doBanco Central, Alexandre Schwartsman.
Há luz no fim do túnel
Apesar dos sinais da baixa confiança dos empresários, há motivos para que a economia brasileira volte a crescer neste trimestre ou, no máximo, no próximo. O primeiro deles é que a economia alcançou um patamar muito baixo devido à redução de estoques. Para John Welch, economista global do banco Itaú, mesmo sem um forte crescimento da demanda, as empresas terão de repor estoques nos próximos três meses, levando a uma recuperação da economia.
Além disso, medidas anunciadas pelo governo nos últimos meses devem começar a fazer efeito no terceiro trimestre. O Banco Central já reduziu a taxa básica de juros em 2,5 pontos percentuais e deve levá-la para algo entre 8% e 10% ao ano até julho. Se a economia continuar a piorar, é provável que a Selic fique mais próxima de 8% ao ano, e vice-versa.
Independente do tamanho dos cortes, a Selic já atingirá o menor patamar da história a partir deste mês. O consumo de bens como imóveis e eletroeletrônicos, bastante afetado pela crise, deverá ser reativado pela Selic - a não ser que a taxa de desemprego suba do atual patamar de 8,5% da população ativa para mais de 10%.
O governo também injetou ânimo no consumo nas últimas semanas ao anunciar a prorrogação do IPI reduzido para carros e caminhões e a redução de tributos cobrados sobre motos e material de construção. O pacote habitacional é outra aposta que deve elevar a demanda por imóveis para famílias com renda de até dez salários mínimos assim que os subsídios estiverem disponíveis. O problema é que não se sabe quando isso vai acontecer, já que nem o presidente Luiz Inácio Lula da Silva se comprometeu com um prazo para a construção de 1 milhão de moradias.
Oliveira, do Barclays, lembra que o governo terá limitações orçamentárias para tomar novas medidas fiscais de estímulo à economia como fizeram os países desenvolvidos. A arrecadação tem caído rápido e o governo só evitará o crescimento da relação dívida/PIB caso garanta um superávit primário (receitas menos despesas, excluído o pagamento de juros) equivalente a ao menos 3% do PIB. "Se o governo quiser economizar menos que isso, precisa comunicar bem ao mercado que trata-se de algo temporário, uma ação pontual para combater a crise. Do contrário, o 'grau de investimento' ficará ameaçado", afirma.
Por outro lado, a solidez dos bancos brasileiros, os sinais de que a economia chinesa começa a se recuperar e o plano do governo dos Estados Unidos para ressuscitar o setor financeiro geram alguma esperança em empresários e consumidores. Então é possível descartar totalmente a previsão do Morgan Stanley de que a economia brasileira encolherá 4,5% neste ano? Não, principalmente se a quebra de algum grande banco ou montadora americana voltar a abalar a economia mundial. Mas é provável que isso aconteça? A julgar pela recente recuperação dos mercados financeiros globais e da Bovespa, essa possibilidade é cada vez menor.

sexta-feira, 3 de abril de 2009

Lançamento do Site do Logicon


O LOGICON - Centro de Pesquisa em Logística Integrada à Controladoria e Negócios foi criado no ano de 2000 na Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade da USP por meio de um convênio entre a Ford Brasil e a FIPECAFI - Fundação Instituto de Pesquisas Contábeis, Atuariais e Financeiras.

O LOGICON tem como propósito acumular e disseminar conhecimentos relevantes na realidade brasileira sobre modelos e soluções de Supply Chain Management e Logística com foco, especialmente, nos impactos estratégicos de custos e econômico-financeiros de tais soluções. Esta missão implica constante - e cada vez maior - aproximação entre empresas, a comunidade profissional e a comunidade acadêmica. Daí, a nossa satisfação em comunicá-lo do lançamento do site do LOGICON, como mais um bom instrumento para esta aproximação.
Convidamos a todos para conhecer o conteúdo disponibilizado - cursos, programa, pesquisas, teses, dissertações, artigos, projetos etc... – No http://www.logicon.org.br.