sexta-feira, 26 de dezembro de 2008

terça-feira, 9 de dezembro de 2008

Primeiros indicadores da crise financeira no Brasil

Nas últimas semanas, dados de diversos países do mundo apontaram para o risco de uma recessão acentuada nas principais economias. Balanços fracos e previsões sombrias de empresas, somados a indicadores econômicos decepcionantes, têm provocado queda nos mercados financeiros. Como prova de que a crise já é global, o Reino Unido anunciou na semana passada que o PIB do país caiu 0,5% no 3º trimestre ante o trimestre anterior. O Brasil também sofre os efeitos da turbulência financeira e a economia nacional já começa a dar os primeiros sinais de desaceleração. Confira abaixo o desempenho dos principais indicadores do País:

Negativo

- Confiança do consumidor

O índice calculado pela Fundação Getúlio Vargas (FGV) sofreu uma forte queda em outubro, influenciada pelo pessimismo das respostas do brasileiro quanto à situação econômica. O Índice de Confiança do Consumidor (ICC) caiu 10% no mês, ante alta de 4,2% em setembro. A parcela dos entrevistados que avaliam, atualmente, a situação econômica local como boa caiu de 16,9% para 10,1%, de setembro para outubro. No mesmo período, o porcentual dos pesquisados que consideram a situação como ruim subiu de 34,2% para 48,2%.

- Inflação

A inflação medida pelo IPCA-15 ficou em 0,30% em outubro, ante 0,26% em setembro, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O grupo alimentos e bebidas registrou alta de 0,05% em outubro, ante uma deflação de 0,25% em setembro. No ano, o IPCA-15 acumula alta de 5,28% e em 12 meses, de 6,26%.

- Balança comercial

O superávit da balança comercial no mês de outubro até a terceira semana registrou uma queda de 56,9%, pela média diária (US$ 67,2 milhões), na comparação com o mesmo período do ano passado, em função de uma desaceleração no ritmo de crescimento das exportações. Na terceira semana de outubro, a balança comercial brasileira registrou superávit de US$ 334 milhões. No ano, o saldo comercial acumulado soma US$ 20,530 bilhões, uma queda de 37,7% na comparação com 2007.

- Conta corrente

A conta corrente do balanço de pagamentos, que apresenta o saldo de todas as transações do País com o exterior, registrou em setembro déficit de US$ 2,769 bilhões, valor acima das previsões apuradas pela Agência Estado, que eram de resultado negativo entre US$ 2 bilhões a US$ 1,19 bilhão.


Estável

- Desemprego

A taxa de desemprego apurada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nas seis principais regiões metropolitanas do País ficou em 7,6% em setembro, exatamente igual a taxa de agosto. O dado de setembro, porém, veio no teto das estimativas dos analistas ouvidos pela Agência Estado, que iam de 7,3% a 7,6%.

Positivo


- Superávit primário

O setor público consolidado (governo central, governos regionais e empresas estatais) registrou superávit primário - receitas menos despesas, sem considerar o pagamento de juros -, recorde no acumulado de janeiro a agosto, somando R$ 108,409 bilhões. O valor equivale a 5,78% do PIB e é o maior para o período desde o início da série histórica, iniciada em 1991. Em igual período de 2007, o esforço fiscal do setor público somou R$ 87,669 bilhões, correspondente a 5,26% do PIB.

- Emprego com carteira

A geração de emprego com carteira assinada no País atingiu pela primeira vez na história a marca de dois milhões em um único ano. Segundo dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) do Ministério do Trabalho, foram criadas, de janeiro a setembro de 2008, 2.086.570 vagas formais de trabalho. O número vinha sendo antecipado há alguns meses pelo ministro Carlos Lupi.

- Crédito

O agravamento da crise de crédito global em setembro não surtiu efeitos negativos sobre o mercado brasileiro no mês passado, período em que o saldo das operações de financiamento no País cresceu 3,5%, mostraram dados divulgados pelo Banco Central. De acordo com o levantamento, o saldo das operações de crédito do sistema financeiro nacional somaram R$ 1,148 trilhão no mês passado. O saldo corresponde a 39,1% do Produto Interno Bruto (PIB) do País. Em agosto, o saldo representava 37,9% do PIB.
Fonte: Estadão

Mantega anuncia mais R$10 bilhões para BNDES emprestar a empresas

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, anunciou nesta quinta-feira (6) mais um conjunto de medidas para garantir liquidez no mercado e capital de giro para as empresas. O anúncio foi feito durante a reunião do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social (CDES) em Brasília.
Segundo o ministro, o BNDES terá mais R$ 10 bilhões para fornecer capital de giro, pré-embarque e empréstimos-ponte para empresas. "São mais R$ 10 bilhões, além dos R$ 90 bilhões que eles já têm para poder irrigar o mercado diretamente", disse Mantega. O ministro disse ainda que o Banco do Brasil vai abrir uma conta de R$ 5 bilhões para micro e pequenas empresas, mas não deu detalhes. Prazo maior para impostos O ministro ainda anunciou a extensão do prazo para recolhimento de impostos por parte das empresas, em mais uma medida para compensar os efeitos da crise internacional de crédito. Fazem parte da lista: Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), PIS, imposto retido na fonte e contribuição previdenciária. O recolhimento do PIS passa do dia 20 para 25, e nos demais casos o adiamento é de 10 dias.
"Vamos acelerar a devolução de créditos tributários para os diversos setores da economia", acrescentou o ministro, destacando que as medidas fazem parte de uma política anticíclica. Setor automotivo Mantega confirmou também que o Banco do Brasil vai criar uma linha de crédito de R$ 4 bilhões para financiar pequenos bancos das montadoras de veículos, responsáveis pelos financiamentos junto aos consumidores. De acordo com ele, o valor, somado à possibilidade do socorro desses pequenos bancos por instituições maiores, viabilizado através da medida provisória 442 e liberação dos compulsório, o setor manteria suas vendas até dezembro. "Esse valor é suficiente para manter o setor automotivo até novembro e dezembro. O suficiente para ultrapassar a crise de crédito no País".
Fonte: IG

terça-feira, 7 de outubro de 2008

Os ônus dos transportes no Brasil

São problemáticos os entraves que tangem a economia brasileira pelo encarecimento dos transportes. Impostos, multas, pedágio, rodovias em péssimas condições, congestionamentos, frota envelhecida, preço alto dos combustíveis e despreparo de motoristas são grandes barreiras que contribuem para travar o desenvolvimento. Estas questões foram levantadas no recente Fórum Volvo de Segurança no Trânsito, realizado em São Paulo, e enfocadas por este Jornal. Os transportes têm pesada influência sobre os custos de tudo, mas os governos - como tantas outras inoperâncias - não têm projetos consistentes para solucionar esses problemas. Tema discutido durante o Fórum foi também a idade da frota brasileira de veículos de carga, que é em média de 18 anos, com críticas ao governo 'por estimular isso' cobrando menos imposto sobre veículos velhos. Verdade que a economia dos transportes nem sempre permite renovação, um problema ainda maior com os caminhoneiros particulares. Estes foram duramente tangidos pelo advento do pedágio, que lhes sugou grande fatia do lucro.

Óbvio que um caminhão novo traz ganhos financeiros em manutenção e combustível, embora o risco de danos pela precariedade da maior parte das estradas. Além da frota envelhecida e dos caminhos ruins, o regime da pressa e da pressão submete o motorista a longas horas de trabalho sem descanso, o que induz a acidentes, com mortes, dor e prejuízo material. Problemas de um Brasil ainda subdesenvolvido em muitos pontos, embora a iniciativa privada vá avançando e buscando solução para os problemas. Caso desse fórum de segurança do tráfego. Mas o Brasil ainda não faz parte da convenção sobre rotas internacionais, um acordo entre países que permite o controle fiscal mais eficiente das mercadorias transportadas e significa ganho de tempo, mais segurança e menos corrupção nas alfândegas.

Entenda como a crise dos EUA afeta o Brasil

A crise financeira que começou há mais de um ano nos Estados Unidos como uma crise no pagamento de hipotecas se alastrou pela economia e contaminou o sistema mundial. Banco atrás de banco por lá apresentou perdas bilionárias, outros chegaram a quebrar. Na Europa também há vítimas. E no Brasil? Por aqui, a crise não afeta ninguém diretamente --os bancos dizem não possuir papéis ligados às hipotecas--, mas atinge vários setores por causa da forte contração de crédito.
Entenda como começou a crise nos EUA
As quebras e os problemas enfrentados por bancos até então considerados importantes e sólidos geraram o que se chama de "crise de confiança". Num mundo de incertezas, o dinheiro pára de circular --quem possui recursos sobrando não empresta, quem precisa de dinheiro para cobrir falta de caixa não encontra quem forneça. Isso fez cair e encarecer o crédito disponível. E numa economia globalizada, a falta de dinheiro em outro continente afeta empresas no mundo todo.
Com a circulação de dinheiro congelada e o consumo comprometido, o resultado esperado é a contração das economias, uma vez que empresas, pessoas físicas e governos passam a encontrar dificuldade em financiarem seus projetos. Justamente para injetar liquidez (dinheiro nos mercados) os Bancos Centrais fazem leilões de moeda e criam linhas especiais de bilhões de dólares.
No Brasil, é exatamente esse o principal efeito da crise: a dificuldade em se obter dinheiro. Grandes empresas que dependem de financiamento externo passam a encontrar menos linhas de créditos disponíveis, afinal, os bancos têm medo de emprestar em um contexto de crise. Por conseqüência, com a dificuldade em captar no exterior, ficam comprometidos projetos de construção dessas empresas, que por sua vez gerariam empregos e renda ao país.
Até mesmo os bancos começam a sofrer com a dificuldade de captar recursos no exterior, o que deve fazer os empréstimos ficarem mais caros e mais difíceis também para as pessoas físicas. Por conta disso, as instituições de médio e pequeno porte já tiveram ajuda do governo brasileiro.
Para reduzir os efeitos da crise internacional, o BC (Banco Central) anunciou mudanças nos depósitos compulsórios das instituições financeiras, um dos instrumentos usados para controlar a quantidade de dinheiro que circula na economia.
Por meio do depósito compulsório, o órgão obriga os bancos a depositar em uma conta no próprio BC parte dos recursos captados dos seus clientes nos depósitos à vista, a prazo ou poupança. Assim, quando reduz o compulsório, o BC dá aos bancos mais dinheiro para emprestar aos seus clientes.
Ainda na esteira da contração do crédito, outra conseqüência da crise nos EUA é haver alguma desaceleração do PIB (Produto Interno Bruto) brasileiro. Isso porque o consumo das famílias e o investimento das empresas, dois dos principais pilares de expansão da economia nos últimos anos, cresceram justamente pela farta oferta de crédito. Com menos dinheiro, gasta-se menos, produz-se menos e o crescimento é menor.
Também serão afetadas as exportações do país, que devem cair porque os países compradores estão se desaquecendo e possuem menos dinheiro para comprar --e menos população com capacidade de consumir.
Por isso, o governo já estuda linhas especiais de financiamento. Entre as possibilidades está colocar mais dinheiro no Proex (Programa de Financiamento às Exportações) e garantir recursos para ACC (Adiantamento de Contrato de Câmbio), mecanismo que permite às empresas oferecer os dólares que receberão por suas exportações como garantia de empréstimos.
O BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) também já declarou que o banco de fomento conta com dinheiro suficiente até a primeira metade de 2009 para fazer face à escassez de crédito internacional.
Por fim, pesa a alta do dólar --em momento de crise, a cotação sobe porque a moeda americana, considerada um investimento seguro, tem mais procura. E o dólar mais caro encarece os importados, o que pressiona a inflação e reduz o poder de compra.
Bolsa de Valores
Um dos reflexos mais visíveis da crise, porém, é a forte queda nos mercados acionários. Trata-se de um ciclo sem fim: com medo da crise financeira aumentar, os investidores tiram o dinheiro das Bolsas, consideradas investimentos de risco. Então, faltam recursos para as empresas investirem e a crise aumenta, o que faz o investidores tirarem mais dinheiro.
Ou seja, como a crise americana provoca justamente aversão ao risco, os investidores em ações preferem sair das Bolsas, sujeita a oscilações sempre, e aplicar em investimentos mais seguros. Além disso, os estrangeiros que aplicam em mercados emergentes, como o Brasil, vendem seus papéis para cobrir perdas lá fora. Com muita gente querendo vender --oferta elevada--, os preços dos papéis caem e os índices (que refletem os valores das ações) desvalorizam.
Fonte: Folha Online